O Ari"zal muito insistia que antes da tefilá, todos os judeus devem recitar: Harêni mecabêl alái mitsvat assê shel veahavtá lereachá camochá, "Eu assumo cumprir a mitsvá 'positiva' de 'amarás a teu próximo como a ti mesmo" (Pri Etz Chayim, Sha'ar Olam Ha'Asiyah).

O Rabi Avraham Galante, um dos discípulos mais importantes do grande cabalista, o ReMák (R' Moshe Cordovero), tinha o costume (e muitos o seguiram) de não dormir na noite de Yom Kipur, tal como os "nobres" de Jerusalém que ficavam acordados estudando as leis de Yom Kipur e as suas proibições, assim como cantavam e louvavam a D-us com melodias litúrgicas.

O Ari"zal ensinou também (Sha'ar Ruach Hakodesh), que se concentar no nome Yud-Kei é um remédio para remover a arrogância, pois a guemátria de gaivah ("arrogância") é 15, assim como o Nome Divino Yud-Kei.
O Ari"zal ensinou que a pessoa deve fazer os Ni'inu'im (movimentos dos Arba Minim, as 4 espécies) da seguinte maneira: sul, norte, leste, para cima, para baixo e para oeste. E quando mudando as direções, a pessoa deveria se virar sempre para a direita até que ela fique na direção apropriada. Existe uma tradição trazida pelo R' Chayim Vital e o R' Chayim Palachi que o Ari"zal não fazia Kishkush ("chacoalhar") dos Arba Minim.

"Sua mão esquerda sustenta minha cabeça e Sua mão direita me abraça" (Shir HaShirim 8:3). Sobre este verso, ensionu o Ari"zal que para abraçar alguém e trazê-lo para perto você precisaria dobrar o seu braço pelo cotovelo e pulso. Do ombro até o cotovelo é como uma parede da Sucá, do cotovelo até o pulso é a segunda parede, e do pulso até as pontas dos dedos temos a terceira parede que somente precisa ter um téfach ("punho") de comprimento. Quando sentamos na Sucá, diz o Ari"zal, é como se Hashem verdadeiramente estivesse nos abraçando.

O Ari"zal explica que "a palavra lulav tem a mesma guemátria ("valor numérico") de 68 assim como a palavra chayim ou life . Isto é assim devido à força vital que flui do princípio-masculino do lulav-Yesod para o princípio-feminino de Malchut, representado pelo etróg, que simboliza o fruto do útero" (Shar HaKavanot, Sucót, 5; e Zohar, Pinchas 266b). Quando nós erguemos o lulav e o etróg juntos, nós unimos os princípios masculino e feminino da Criação em uma unificação espiritual chamada de Yichúd. Estes yichudim ajudam a limpar as manchas espirituais causadas pelas transgressões sexuais da pessoa (ver R' A. Chachamovits, Darósh Darásh, Sha'ar Sod HaZivug).

CABALÁ & COSTUMES DE SAFÊD
Rabino Avraham Chachamovits
Existe um mistério sobre a verdade sobre  quem introduziu o R' Yehudah Leib Ashlag zt"l (o Ba'al HaSulam), aos ensinamentos da Cabalá. Em um carta, o R' Ashlag escreve: "Na sexta-feira, 12 de MarChesvan, 1919 uma pessoa me visitou. Eu imediatamente percebi que era um homem santo. Ele me prometeu revelar a sabedoria da Cabalá em todas as suas facetas. Eu estudei sob sua guarda por 3 meses... Na medida em que que cresci, meu santo mestre gradualmente se recolheu, e no final de 3 meses, ele desapareceu completamente. Eu o procurei, mas não o encontrei... Em tempo, no dia 9 de Nissan, eu o encontrei... ele me fez prometer que eu nunca revelasse a sua identidade". O R' Y. Ashlag se tornou um dos maiores mestres da Cabalá.
O grande mestre da Cabalá, o R' Yitzchak Kaduri zt"l afirmou que: "O tempo da redenção do já chegou. Investigue as minhas palavras e descubra o nome secreto do Mashiach que veio a mim em 9 de MarChesvan, 5764 [2003]"
Comentando na razão pela qual o mês de MarChesvan era o único mês sem qualquer dia significativo judaico, o conhecido mestre Chassídico, o R' Bunim de Peshischa zt"l ligou o termo marchesvan a merachshan. Esta palavra em Hebraico significa "vibrando". E assim, os efeitos posteriores do intenso dias de teshuvá em Tishrei ainda estavam "vibrando" durante MarChesvan!
O R' Yossef Caro é mais conhecido como autor do Shulchan Aruch. Mas, os ensinamentos de Cabalá (da escola do R' Moshe Cordovero zt"l) encontrados no seu diário espiritual chamado de Meisharim Maguid,são extraordinários. De fato, o autor da obra mística Shenei Luchot HaBrit, um dos maiores cabalístas do milênio, o santo R' Yeshayahu Horowitz zt"l (séc. 17), escreve que, em uma  noite de sexta-feira, Rosh Chodesh MarCheshvan de 5365 (1605), R' Yossef Caro, trinta anós após o seu falecimento, apareceu no sonho para um certo sábio que morava em Safed. Ele relatou que viu R' Yossef "sentando em um trono majestoso na presença de incontáveis rabinos de fama mundial. Seu rosto reluzia como o brilho do céu...e ele ensinava as meditações aplicáveis à kedushá ['santidade']"
Sobre Safed, afirmou um dos grandes místicos do nosso povo, o R' Avraham Azulai zt"l (yarzheit em 24 de Chesvan): "Não existe outra cidade assim em toda a Israel. Esta cidade foi predestinada desde tempos imemoriais como o local mais propício para se sondar as profundezas da sabedoria da Torá, pois nenhum outro local tem o ar tão puro como em Safed" (Chesed L'Avraham 3:13).

O santo Zohar afirma que, "No Techiát HaMetim, a ressurreição dos mortos, estes se levantarão e se agruparão em Safed. E lá o Mashiach se revelará, e eles todos marcharão juntos para Jerusalém" (Vayak'hel, 220a).

O método de ensinar do Ari"zal era singular. Ele costumava introduzir um tópico e então se afastava de seus alunos, sem se aprofundar. o R' Chayim Vital zt"l então continuava o discurso em profundidade para os outros alunos. Apesar de que seu o sistema de ensinar obteve grande sucesso, certa vez causou algum atrito.R' Ya'akov Arazin zt"l foi um dos grandes discípulos do Ari"zal, e ele era alguns anos mais velho do que o R' Chayim, quem na época tinha 30 anos. Certa noite o R' Arazin estava muito pertubado, e foi até a casa do Ari"zal. Ele disse ao mestre: "Eu confesso que não tenho um coração limpo. Mas, eu sou mais velho do que o R' Chayim. Por que eu preciso escutar ele discursar? Isto não me parece justo". O R' Luria olhou para ele e disse: "De todos os meus discípulos, somente o R' Chayim é capaz de entender a minha sabedoria. Eu vim para este mundo somente para ensiná-lo" (Shivchei R' Chayim Vital, pg. 29a).

O Ari"zal ensinou que, quando Yitzchak nasceu, Avraham tinha 100 anos e Sara tinha 90 anos. E isto é aludido no nome Yitzchak, pois este é soletrado: yud-tzadik-chet-kuf. A guemátria de tzadik é 90 e o de kuf é 100. O chet, guemátria 8, alude aos oito dias desde o nascimento até a circuncisão. Agora, O yud alude ao yud no nome Chaya, pois este foi o nome de Chava (Eva) antes do pecado original. Até antes do pecado, ela era referida apenas como "mulher" e "sua esposa". De fato, isto alude à tradição que Chava tinha outro nome antes do pecado. Enfim, somente depois do pecado ela foi chamada de Chava. Ela foi formada do lado de Adam, e quando este lado foi formado (em Chava, a auxiliadora de Adam, em Hebraico ezer), então a semente (em Hebraico, zera) duradoura veio a existir, produzindo assim a semente santa, pois Israel é santa para D-us" (Sefer HaLikutaim, Vayerá). A palavra para "auxiliadora" e "semente" são permutações uma da outra. Ezer é soletrada: áin-záin-reish. Zera é soletrada: záin-reish-áin. Isto indica que o "auxílio" que a mulher/princípio feminino oferece ao homem/princípio masculino, é a possibilidade de produzir filhos. Assim, o yud no nome de Yitzchak se refere à mulher original, quem foi formada para ser a mulher de Adam, para que eles pudessem trazer filhos ao mundo que levassem adiante a missão messiânica que mais tarde foi dada ao povo Judeu. E por isso que está escrito: "Pois de Yitzchak será chamada a tua descendência [ou seja, a semente]" (Gênesis 21:12, Vayerá). A verdadeira semente de Avraham, a linha genética do povo Judeu, é passada somente através de Yitzchak, e não através de seus outros filhos, Ishmael e os filhos de Keturah (Gênesis 25:1-6).
Depois que o Ari"zal nos deixou para o outro nível, o seu aluno principal, o R' Chayim Vital zt"l o via em seus sonhos. Com a passagem dos anos, estas "visitas" se tornaram menos freqüentes. R' Chayim foi morar em Damasco, Síria em 1594, lá ensinando e inspirando inúmeros judeus a fazerem teshuvá - o retorno a uma vida baseada na Torá. Entretanto, ele foi afligido até o final de sua vida com o arrependimento e amargura de que a Redenção Final do Mashiach não tinha ainda chegado.  Com a exceção de visitas ocasionais em Safed, o R' Chayim Vital permaneceu em Damasco até seu falecimento em 1620.

O Sefer HaChizyonot, escrito pelo grande R' Chayim Vital zt"l, é uma obra semi-biográfica que explica o que ele ouviu sobre a sua alma e poderes do próprio Ari"zal. Esta obra incluiu  também inúmeras revelações obtidas durante os seus próprios sonhos.

O grande cabalista, o R' Natan Shapira zt"l, quem junto com os mestres R' Ya'acov Tzemach zt"l e o R' Meir Paparush zt"l disseminaram a sabedoria do Ari"zal na comunidade judaica da Europa, explica que a escada no sonho de Ya'acov tinha quatro "degraus". Mais tarde, outro grande cabalista, o Shelah HaKadosh correlacionou estes quatro degraus aos quatro olamót ("mundos espirituais") que a Cabalá ensina. De fato, o Ari"zal explicou que as nossas orações devem ser concebidas como compreendendo quatro seções ou degraus em uma escada, e que estas seções se relacionam inplícitamente aos quatro mundos espirituais (Pri Etz Chayim). Quando Ya'acov sonhou com a escada dos anjos naquela noite auspiciosa, ele estava agindo de modo consciente e inconsciente como um recipiente através da qual a oração foi revelada como sendo o meio de sua ascensão espiritual - erguendo humildemente e fielmente o patriarca diante de D-us.

Como é sabido, mesmo o Shelah HaKadosh, um dos maiores cabalistas de sua geração, e que faleceu quase 60 anos após o Ari"zal, não era familiarizado com o sistema de Cabalá do Ari"zal até que ele imigrou para Eretz Israel, quase no fim de sua vida. O Ari"zal propositalmente ensinou sua sabedoria "fora de ordem" para garantir que pessoas fora de seu círculo (e sem o nível adequado) não pudessem aprender algo de seus ensinamentos. De fato, o seu aluno maior, o R' Chayim Vital zt"l insistiu (e assim ocorreu) que a obra clássica da Cabalá, Etz Chayim, a composição dos ensinamentos do Ari"zal que o R' Chayim ouviu diretamente, fosse enterrada com ele, uma vez que estes ensinamentos não foram direcionadas ao público geral. A única cópia disponível do Etz Chayim depois de sua morte foi uma copiada feita rapidamente e com erros. Isto foi assim, pois esta cópia foi retirada da casa do R' Chayim (e depois devolvida clandestinamente) sem a sua autorização, quando ele esteve doente. Este manuscrito realmente tinha muitos erros e foi organizado de modo inapropriado. Muitos anos após o falecimento do R' Chayim Vital, o R' Ya'akov Tzemach (um aluno do R' Shmuel Vital, o filho do R' Chayim Vital) junto com um dos maiores cabalistas de todos os tempo, o R' Avraham Azulai zt"l (o avô do Chida zt"l), fizeram uma Sheilat Chalom (uma pergunta para ser respondida em um sonho). A resposta sublime veio de fato, dando a permissão para exumar os escritos do Ari"zal que estavam enterrados como o R' Chayim Vital.
A cidade de Safed flamejava com Torá. O Ari"zal tinha despertado nas pessoas uma ânsia para o auto-aperfeiçoamento e para o acender das fagulhas interiores de suas almas divinas. Discipulos do Ramak (R' Moshe Kordovero zt"l), já no caminho, sentavam-se facilmente aos pés do do R' Ytizchak Luria, o Ari"zal. O R' Eliyahu Di Vidas zt"l e R' Avraham HaLevi zt"l foram alguns destes que vieram aprender. Um número de outros tsadikim buscaram ingressar no círculo privado do grupo do R' Ytizchak Luria. Eles também desejaram estudar seu sistema de Cabalá. Entretanto, o Ari"zal os recusava.

Um deles foi o R' Moshe Alshich zt"l, o mestre do R' Chayim Vital zt"l desde sua juventude. R' Alshich sempre reconheceu a grandeza do seu discipulo, e a partir do momento que o R' Chayim divulgou a ele quem era seu mestre de Cabalá, ele ficou sedento por estudar misticismo com o Ari"zal.

Um dia, o R' Moshe visitou a casa do R' Luria e levantou a questão. R' Luria respondeu que seus ensinamentos eram para serem disseminados pelo seu principal aluno, o R' Chayim Vital e não por ele mesmo. R' Alshich implorou ao Ari"zal que o ensinasse Cabalá diretamente. Mas, explicou o R' Luria, "Eu somente vim a este mundo para ensinar o R' Chayim. Só ele é capaz de de difundir a Cabalá". E o R' Alshich pleiteou: "Como posso eu estudar com o R' Chayim? Depois de ter sido seu Rav, eu deveria me tornar o seu aluno?". "Sim", respondeu o Ari"zal. "Se eu não fosse o seu mentor em Cabalá, eu seria privilegiado de ser seu aluno. Eu teria inveja do que ele realizaria em sua vida" (Shivchei R' Chayim Vital, pg. 3b).

O grande sábio, o Chid"a relata que o Ari"zal disse ao R' Moshe Alshich que o propóstio deste seu guigul ("reencarnação") era aperfeiçoar o nível de interpretação da Torá chamado de Drash (interpretações midráshicas, sermões morais). Agora, o nível mais elevado chamado de Sod, dos segredos da Torá (a Cabalá propriamente dita), o Ari"zal disse que ele já tinha aperfeiçoado em um guilgul anterior.

Um grande e conhecido sábio da Torá desejou estudar Cabalá com o Ari"zal. Este foi o R' Yosef Karo, o autor do Shulchan Aruch, o "Código de Leis Judaica" e reverenciado chefe da corte rabínica de Safed. Apesar de que o Ari"zal não foi completamente a favor disso, eles estudaram juntos algumas poucas vezes. R' Karo, um homem verdadeiramente humilde, nunca permitiu que a sua idade superior ao Ari"zal interferisse com o seu objetivo de adquirir maior sabedoria da Torá. "A sua alma", disse finalmente o R' Yitzchak Luria (o nome do Ari"zal), "não é capaz de compreender esta sabedoria através do meu sistema. Você obterá melhor sucesso se estudar os ensinamentos do R' Moshe Cordovero". Continuou o Ari"zal: "Como um sinal que falo a verdade, tão logo eu inicie a revelar segredos místicos você começará a adormecer". E assim aconteceu. Toda vez que o R' Luria divulgava um pensamento Cabalístico, a cabeça do R' Karo baixava e seu olhos fechavam. (Shivchei Ari, p. 37b).
Antes de realizar uma mitsvá, um ato generoso, ou dar tsedacá, o Ari"zal ensinou (Likutei Torá, Reê) que é necessário dizer: Leshêm yichud Kudshá berich Hu uSh'chintêh leiachadá shêm Yud-Kei beVav-Kei beyichudá shelim beshêm cól Israel, "Pela união do Santo, bendito Ele seja, com Sua Shechiná, para unir o Nome Yud-Kei com Vav-Kei em uma união perfeita em nome de todo Israel". Deste modo, a pessoa conecta as letras yud e hei do Nome Divino YKVK com as letras vav e o hei. "O Sagrado, abençoado seja Ele" é usualmente um apelido para Ze'ir Anpin, indicado pelo vav do Shem Havayah (YKVK), enquanto a Shechiná é um apelido para Nukva, indicado pela letra hei final do Shem Havayah.
Algo mantinha perplexo o discípulo de 28 anos do Ari"zal. Por que ele, o R' Chayim Vital, tinha sido escolhido como a única pessoa em toda a sua geração para receber e disseminar o sistema Cabalístico do R' Yitzchak Luria? Existiam outros estudiosos extraordinários da Torá que eram certamente maiores do que ele além de grande tsadikim vivendo em Safed aos quais ele era totalmente subserviente. Mesmo assim, o R' Luria concordava somente em despejar sua sabedoria para ele. "Por quê?" perguntou o R' Chayim ao seu mentor. O Ari"zal respondeu: "De fato não existe conexão entre nós, além de você ser inferior a todos os grandes tsadikim de Safed. E se eu tivesse escolhido qualquer um deles, eu certamente teria sido muito estimado por toda a comunidade". Continuou o R' Luria, "Portanto, que isto seja um sinal para você. Minha escolha sobre o seu valor não foi por acaso. O fato de você ter sido escolhido no céu esclarece para mim que a grandeza do seu potencial sobrepuja a de todos eles". "Mais ainda", revelou o Ari"zal, "não pense que a grandeza de um homem é medida por quanto ele é estimado pelos seus companheiros. Se você pudesse ver as manchas ocultas que as pessoas tem, você ficaria extremamente atônito". E o R' Luria terminou dizendo: "Saiba que eu pesei bem todos estes tsadikim na escala da verdade, e nenhum deles é tão puro e adequado para receber os meus ensinamentos como você é" (Shivchei R' Chayim Vital, pág. 12. O R' Chayim Vital foi um guilgul, reencarnação, do Rabi Akiva).
Yud (10) Shevat é o yarzheit ("data do falecimento") do grande mestre Sar Shalom Sharabi, conhecido como o Rashash, o Shemesh, ou também o Ribi Shalom Mizrahi deyedi'a Sharabi. Ele foi um rabino Yemenita, halachísta, chazan e cabalista. Mais tarde em sua vida ele se tornou o Rosh Yeshivá da famosa Yeshivá cabalista Beit El. Ele foi um dos maiores mestres da Cabalá, Torá, Talmud e Halachá do século 18, e um dos primeiros yemenitas judeus a ter grande influência no mundo Judaico como um todo. Ele é considerado no mesmo nível que os Acharonim, e também o próprio sucessor do R' Yitzchak Luria, o Ari"zal. Apesar de que ele é conhecido principalmente como um cabalista, suas determinações da halachá ("lei Judaica") foram e ainda são consideradas como de grande autoridade, particularmente para os judeus yemenitas, mas até certo ponto para todo o mundo judaico. O Rashash foi enterrado em Har HaZeitim (Monte das Oliveiras). Ele fez uma promessa antes de morrer que qualquer pessoa que visitar sua matseiva e rezar com um coração puro para Hashem, sua oração não deixará de ser respondida. Que no mérito deste grande mestre tsadik possamos todos merecer a Redenção final do Povo de Israel, amém.
Incrustada na fresta entre o declive de duas montanhas, se encontra a mikvê do Ari"zal - uma piscina para imersão de água fria. Ela é localizada abaixo do Quarteirão Judaico, logo acima do cemitério. Águas de fontes naturais saem das paredes das rochas e fluem vários metros pelo canal de pedra até a mikvê. A piscina, que mal cabe dois homens ao mesmo tempo, é entalhada de pedra sólida. Uma estrutura larga foi construída sobre a mikvê, estendendo 12 metros para o ocidente com uma entrada baixa. Sua idade é de centenas de anos. O grande mestre costumava a imergir na micvê todas as manhãs antes da oração de shacharit, verão ou inverno. Entretanto, durante sua última imersão, algo extraordinário ocorreu. "Meu mestre ordenou", escreve o R' Chayim Vital, "que depois que ele falecesse, seu corpo deveria ser imerso uma última vez antes do enterro. No dia que o mestre faleceu nós carregamos seu corpo para a mikvê. No momento que íamos submergi-lo, nós dissemos: 'Mestre! Por favor, nos perdoe'. Daí, nós começamos a deixar cair seu corpo na água. Para o assombro de todos, ele se dobrou e imergiu sozinho, ele mesmo!" (Anaf Etz Avot, p. 78).
21 Shevat é o dia do yarzheit do R' Yechiel Meir ben R' Yaakov Tzvi Lipschitz de Gostinin (1888), um talmid ("aluno") do grande mestre, o Kotsker Rebe, do Chidushei HaRim e do the Avnei Nezer. Ele foi conhecido como o Ba'al HaTehilim ("O Mestre dos Salmos"). O Kotsker Rebe disse que ele foi um dos 36 tsadikim ocultos. O mundo é sustentado pelo mérito destas pessoas extraordinárias. Que no mérito deste tsadik perfeito, possamos todos ser abençoados e protegidos materialmente e espiritualmente, amém.
As revelações dos mistérios da Torá da boca do santo Ari"zal tiveram as intenções de anunciar a nova era de Mashiach. Isto, entretanto, elas poderiam fazer se o mundo Judaico fosse julgado como tendo mérito. O tempo passou e o presente de D-us que poderia ter sido entregue a nós e o mundo, foi removido. Mesmo assim, a Cabalá do Ari"zal permaneceu como uma grande herança para os filhos de Israel. Verdadeiramente, ela tem continuado a aumentar a luz Divina no mundo. E para os grandes mekubalim ("cabalistas"), os místicos Judeus de cada nova geração, ela continua a conter as chaves da arca do tesouro  dos segredos da Torá, e a esperança renovada da vinda de Mashiach, em breve, em nossos dias amém.
Absolutamente tudo em Safed, até as pedras foram imbuídas com um brilho de santidade iniciado pela presença do santo Ari"zal. A Presença Divina o circundava em cada instante, e como um pilar de fogo, impregnava o próprio solo que ele andava e a sinagoga na qual ele orava e estudava. Quem hoje em dia não sente a conexão de Safed com o verdadeiro misticismo Judaico? Quem não sente uma liberdade espiritual particular quando andando por Safed? Esta sensação extraordinária que temos hoje é em parte acesa pelos vestígios remanescentes da luz da Shechiná que pairava constantemente sobre o santo Ari"zal. E se nós recontamos sobre alguns de seus feitos e sabedoria, certamente poderemos tocar ainda mais na essência de Safed.

Para cumprirmos a mitzvá de Bedicat Chamêts, é costume distribuir-se por toda a casa dez pequenos pedaços de chamêts embalados individualmente, para que sejam achados durante a vistoria. A origem dos 10 pedaços de chamêts está no Ari"zal (Pri Etz Chayim, Sha'ar Chag HaMatzot). Nas fontes da Cabalá, também se ensina que a razão para os 10 pedaços é relacionado à história na Meguilá Ester (3:12) sobre como Haman o perverso, contratou escribas para escreverem cartas solicitando vigorosamente a destruição dos Judeus. Estes escribas escreveram suas cartas no dia 13 de Nissan, a noite anterior "à procura do chamêts" (Bedicat Chamêts). O Midrash (Baraita D'Seder Olam Rabah 29) nos ensina que estes escribas eram de fato os dez filhos de Haman, que foram enforcados eventualmente por este crime. Para celebrar seus desígnios malévolos que foram destruídos, graças a D-us, nós removemos os 10 pedaços do chamêts na noite seguinte, o dia 14 de Nissan e assim, os destruímos na manhã seguinte.